Foto: Ilustrativa | Flickr |
Por Sergio Marcone Santos
Esse é um bom verso do Los Hermanos. O carnaval, síntese de alegria, catarse e urina tem um fim, por melhor ou pior que seja.
Gregos afirmavam que tudo, absolutamente tudo, caminha para o fim. O fim é o motivo de todas as coisas. Para ele vivemos, planejamos, agimos. Tudo, pois, acaba.
Talvez nosso sentimento de ter vida eterna, pós-morte, venha dessa sensação e do desejo de que essa coisa bonita chamada vida um dia termine. Essa é uma discussão que não quero entrar. Cada um que busque suas dúvidas, pois elas valem mais que as certezas.
Os romances têm um fim. Eles duram o tempo que têm que durar e se você insistir periga sair chamuscado.
Aquele filé à parmegiana do jantar de ontem também deu saudade: hoje ele não existe mais.
Os amigos de infância e as brincadeiras inocentes e as nem tão inocentes, estão presentes somente na memória. O “garrafão” se quebrou.
A década de 80 com o Duran Duran e o The Smiths já era. Foi o suspiro final da música pop, a raspa do tacho.
O salário logo que recebido, já acabou. Quando não recebido é porque seu emprego já não existe mais.
A pipoca, tão saborosa e salgadinha, acaba antes do “the end”.
A compulsão finda quando o amendoim termina.
Encarar a realidade acaba com o medo.
A vida cessa (ou pelo menos o que pensamos dela).
A saúde some.
A gasolina, que você jurava que duraria, secou no tanque em plena sinaleira.
A última coca-cola do deserto era a última. Se foi.
Os dentes caem.
Eu acabo.
Você acaba.
A-ca-bou.
(Pois, graças a Deus, pesadelos também acabam).
Sergio Marcone Santos é formado em Letras Vernáculas pela UEFS e pós graduando em Comunicação em Mídias Digitais pela Unifacs |
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